Lisboa, 18 Dez (Lusa) - A Plataforma Artigo 65, que reúne associações em defesa do direito à habitação, vai hoje propor aos deputados da Comissão do Poder Local a criação de uma comissão para elaborar a Lei de Bases da Habitação.
“Vamos propor a criação de uma comissão técnica ou um grupo de trabalho multidisciplinar para elaborar no futuro a Lei de Bases, à semelhança do que acontece na Saúde ou Educação”, disse à Lusa César Valentim, da Plataforma.
“Este grupo de trabalho deve reunir juristas, arquitectos, sociólogos e associações representativas dos moradores”, acrescentou.
Além de apresentar a petição que entregaram na Assembleia da República em Outubro, os elementos da Plataforma Artigo 65 vão entregar aos deputados da Comissão do Poder Local um documento com os 10 objectivos da Lei de Bases da Habitação, um levantamento da legislação vigente e um relatório com as principais lacunas encontradas e cópias dos projectos de lei da Catalunha e de França que defendem o direito à habitação.
Na área do arrendamento, a Plataforma aponta deficiências na fórmula de cálculo e de avaliação do estado de conservação das casas abrangidas pelo Regime de Renda Apoiada e defende que os valores de renda máximos admitidos pelo programa de apoio ao arrendamento jovem Porta 65 são inadequados.
Aponta ainda a inexistência de legislação de protecção e combate à discriminação no acesso ao mercado livre e apoiado de arrendamento e refere que as medidas de apoio de subsídio de renda a agregados familiares desfavorecidos e maiores de 65 anos são desajustadas.
Quanto à venda, a plataforma diz que a legislação portuguesa nesta matéria não prevê apoios no acesso ao crédito bonificado nem contempla a protecção e o combate à discriminação no acesso ao crédito imobiliário.
Indica ainda como lacunas da legislação portuguesa a inexistência de programas de reabilitação de fogos devolutos com fins sociais e a falta de coordenação entre os diversos programas de reabilitação e conservação do edificado com o regime de renda condicionada.
Os elementos da Plataforma defendem igualmente que os programas PROHABITA E REHABITA, cuja aplicação depende de parcerias com as respectivas autarquias, são ineficazes.
A petição que a Plataforma entregou em Outubro ao presidente da Assembleia da República reuniu cerca de 5.000 assinaturas e pede “respostas de emergência” ao problema habitacional.
No texto da petição, a Plataforma lembra que, de acordo com os Censos de 2001, “as carências quantitativas e qualitativas (de habitação) atingem em Portugal centenas de milhar de famílias”.
“Quase um milhão de fogos existentes nessa data não tinham ou água canalizada, ou esgotos, ou electricidade ou instalações sanitárias”, refere.
No documento, a Plataforma recorda ainda que em 2001 havia “325 mil fogos degradados e muito degradados, sem condições mínimas de habitabilidade (…), mas ao mesmo tempo havia 544 mil casas vazias”.
“Esta situação agravou-se desde então”, recorda.
Desde que entregou a petição ao presidente da Assembleia da República, a Plataforma já foi recebida por todos os grupos parlamentares, à excepção do Partido Socialista.
Susana Oliveira in www.lusa.pt